Crise expõe Sorocaba como ‘cidade dos shoppings fantasmas’

Por brasil

POR JANAÍNA RIBEIRO, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CAMPINAS

A crise econômica do país está atingindo em cheio o setor de shopping centers e transformando Sorocaba na “cidade dos shoppings fantasmas”.

Nono maior município do Estado e terceiro no total de shopping centers, Sorocaba está vendo o fechamento de centros de compras inteiros.

Com problemas de administração, o Villàgio encerrou suas atividades – não sem antes desligar até o ar-condicionado, irritando os poucos lojistas que continuavam no local.

A última a sair foi a Apleebee’s, em dezembro. A franquia americana tinha na unidade o maior percentual de vendas do bar no Estado, à frente inclusive das unidades da capital. Pouco antes, uma franquia da Nobel fechou sua loja para abrir outra, na rua. Procurado, o proprietário da livraria não quis se manifestar.

Desde 2012, Sorocaba ganhou cinco novos shoppings para uma cidade de 630 mil moradores. Com a crise, estes empreendimentos foram atingidos. Dois dos centros de compras, Plaza Itavuvu e Panorâmico, operam com 70% e 90%, respectivamente, das lojas fechadas.

“É um cenário muito adverso no consumo, há muita incerteza, não há expectativa”, afirmou o presidente do Ibevar (instituto de executivos do varejo), Claudio Felisoni. “Neste ano teremos de amargar uma recessão. No próximo, dependeremos do governo.” Segundo pesquisa do instituto, a intenção de compra no varejo é a menor dos últimos 14 anos.

Quando não fecham, em vez de lojas os consumidores estão encontrando tapumes com propagandas nos shoppings do interior paulista que sentem os efeitos da crise.

Corredor de shopping em Sorocaba (SP)
Corredor de shopping em Sorocaba (SP) – Foto Victor Moriyama – 9.jun.2013/Folhapress

O Iguatemi de Campinas (a 93 km de SP), que há um ano inaugurou uma expansão que o transformou no maior shopping da marca no país, ainda não conseguiu ocupar 28 das 104 novas lojas. No Galleria, outro shopping da rede na cidade, também voltado para a classe alta, uma em cada quatro lojas está vazia –e coberta por um tapume.

O setor atingiu em 2015 o maior número de lojas vazias dos últimos dez anos, segundo a Abrasce (associação de shoppings), e o fluxo de pessoas nos estabelecimentos caiu em sete dos últimos nove meses, segundo o Ibope.

A diretora financeira do Iguatemi, Cristina Betts, diz que há “resiliência de muitas lojas no portfólio“ e minimiza os espaços vazios. “Estamos guardando espaço para os lojistas que estão chegando.”

FATURAMENTO

Com faturamento anual superior a R$ 150 bilhões, o setor de shoppings emprega 1 milhão de pessoas e é responsável por 19% das vendas do varejo.

Se a crise afeta até os shoppings voltados para as classes mais altas, é nos populares que a queda de movimento e das vendas são mais sentidas.

Diego Almeida, dono de um ponto de batatas fritas no Spazio Ouro Verde, na periferia de Campinas, amarga uma forte queda nas vendas.

Ele mudou de um quiosque em outro shopping para uma loja no Spazio, mas as vendas caíram de R$ 1.500 para R$ 250 por dia. “Minha expectativa está nas férias de julho, quando recebemos um público maior”, disse Almeida. “Mas estou me virando como posso, negociando com fornecedores, fazendo promoções, usando a criatividade.”