Apesar de desastre, Mariana (MG) fará Carnaval para festa não morrer

Por brasil

POR MARCELO TOLEDO, DE RIBEIRÃO PRETO

Apesar de ter sido palco do maior desastre ambiental do país, com 17 mortes, dois desaparecidos e um prejuízo milionário à cidade, Mariana (MG) comemorará o Carnaval neste ano.

O município mineiro avaliou que, se não fizesse a festa, estaria dando um passo rumo à “morte” da tradição carnavalesca, segundo Vicente Freitas, secretário de Cultura da cidade.

Mas o orçamento será 60% menor este ano. Em vez do R$ 1 milhão investido no Carnaval de 2015, os gastos devem atingir cerca de R$ 400 mil.

A tragédia provocada pelo rompimento da barragem da Samarco deve gerar um prejuízo de até R$ 70 milhões aos cofres da Prefeitura de Mariana, segundo o secretário.

Enquanto o Orçamento municipal foi de R$ 360 milhões em 2015, para este ano a expectativa é de que não passe de R$ 220 milhões. Além do rombo com o rompimento da barragem, a administração prevê perder outros R$ 70 milhões com os reflexos provocados pela crise econômica no país.

“Vamos fazer o Carnaval tradicional, de marchinhas, com apresentação e valorização de bandas locais, além de grupos de dança”, disse Freitas.

Além disso, três escolas de samba vão desfilar, e a cidade terá o Carnaval do Zé Pereira, com bonecos gigantes, a exemplo do que ocorre em Olinda (PE) –em 2015, recebeu o título de patrimônio imaterial da cidade.

“Nós já tínhamos discutido muito a realização ou não do Natal de Luz, e resolvemos fazer, assim como o Carnaval, apesar dos problemas todos”, disse. A exemplo do Carnaval, as festividades natalinas viram o orçamento recuar de R$ 1,4 milhão para R$ 450 mil.

O rompimento da barragem ocorreu em 5 de novembro e o tsunami de lama arrasou o rio Doce e atingiu o mar, no Espírito Santo.

“A tragédia deixou a imagem de que a cidade foi devastada, mas na zona urbana não aconteceu nada. Se apagar o Natal e o Carnaval do nosso calendário, morremos juntos.” Segundo o secretário, o desastre ambiental ocorreu em uma extremidade do município, de 1.200 quilômetros quadrados.