Enxuta, Feira do Livro de Ribeirão Preto (SP) discute crise na economia

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POR MARCELO TOLEDO, DE RIBEIRÃO PRETO

A crise na economia brasileira será um dos temas discutidos durante a 15ª edição da Feira do Livro de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que começa neste domingo (14).

O tema não poderia ser mais propício, pois o evento passa por um encolhimento no Orçamento e não terá a distribuição de cartões que dão direito à compra de livros por alunos das redes de ensino municipal e estadual.

De R$ 3,6 milhões de orçamento no ano passado, o montante despencou para R$ 1,5 milhão agora, o que resultou na redução na duração do evento (de dez para oito dias), nos locais de atividades e no total de escritores participantes.

“O tema deste ano é ‘Encontro dos Tempos – passado, presente e futuro’, e o país homenageado deste ano é o Brasil, que tem uma necessidade enorme de discutir o presente. E não tem como escapar da crise”, disse a vice-presidente da Fundação Feira do Livro, Adriana Silva.

O tema será abordado na terça (16), na conferência de Heloisa Starling, autora de “Brasil, Uma Biografia” (em parceria com a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz), que será lançado durante o evento.

“Vai gerar uma boa perspectiva de debate, assim como a presença do Frei Betto e de outros autores”, disse.

Entre os participantes da feira também estão Eliane Brum, Mário Sérgio Cortella, Gregorio Duvivier, Ignácio de Loyola Brandão, Luiz Felipe Pondé, Augusto Cury, Fábio Moon e Gabriel Bá.

O presidente da Fundação Feira do Livro, Edgard de Castro, disse que foi preciso fazer uma “reengenharia” e otimizar os recursos devido à queda no orçamento para este ano.

Um dos problemas para o faturamento das editoras, confirmado nesta quinta-feira (11), é a não-entrega de cartões-livro aos estudantes das redes municipal e estadual para a feira deste ano. Os cartões eram oferecidos pela prefeitura e o Estado e utilizados para aquisições literárias no evento.

O benefício era distribuído desde 2010 –para alunos da rede municipal– e a partir de 2013, para os da rede estadual. No ano passado, cada aluno recebeu R$ 16 (município) ou R$ 18 (Estado). No total, segundo a Feira do Livro, 100 mil alunos da região eram beneficiados –o que vai representar pelo menos R$ 1,6 milhão a menos nas vendas.

Além das dificuldades econômicas, as mudanças no evento foram forçadas por uma exigência da Secretaria da Saúde de Ribeirão, que vetou o uso do parque Maurilio Biagi, na região central, devido à infestação de carrapatos existente no local.

A Feira do Livro, que tem como principais palcos as praças 15 e Carlos Gomes, no centro de Ribeirão Preto, termina no dia 21.

BAIXA

A feira, no entanto, não é o único evento literário a sofrer com a crise financeira. No mês passado, a Universidade de Passo Fundo –uma das organizadoras- anunciou que a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, um dos mais tradicionais eventos literários do país, não terá edição neste ano.

A 16ª edição do evento, que acontece a cada dois anos, estava marcada para ocorrer de 28 de setembro a 2 de outubro. A universidade informou que a “conjuntura econômica nacional impõe um cenário de contenção e exige restrições de investimentos em atividades dos mais diferentes gêneros”.

Com o anúncio, escritores têm se mobilizado para tentar manter a edição deste ano. Uma petição on-line foi lançada por autores como Ignácio de Loyola Brandão, Nélida Piñon e Milton Hatoum para pedir patrocínios e apoio do governo.

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

14 de junho
Eliane Brum, às 16h
Mário Sérgio Cortella, às 18h30

15 de junho
Gregorio Duvivier, às 11h

16 de junho
Pedro Bandeira, às 8h30
Ignácio de Loyola Brandão, às 16h
Lauro César Muniz, às 19h

17 de junho
Luiz Felipe Pondé, às 18h30

18 de junho
Augusto Cury, às 18h30
Frei Betto, às 21h

19 de junho
Ana Miranda, às 18h30

20 de junho
Fábio Moon e Gabriel Bá, às 11h
Maria Rita Kehl, às 16h