Conheça outros casos de presos por engano durante a ditadura brasileira

Por brasil

LUÍS EBLAK, COORDENADOR-ADJUNTO DA AGÊNCIA FOLHA

Milhares de pessoas foram torturadas pelas forças policiais da ditadura civil-militar brasileiro de 1964-85, mas há casos em que as vítimas afirmam que, inclusive, foram presas por engano –ou pelo menos, não tiveram chance nenhuma para se defender das acusações.

O blog Brasil trouxe, nesta segunda (11), a história do lavrador aposentado Eduardo Rodrigues, que afirma ter sido o primeiro preso da Guerrilha do Araguaia. Com um detalhe: ele garante nunca ter sido guerrilheiro.

No domingo (10), esta Folha trouxe o relato do ex-comissário de bordo José Omar de Morais, que chegou a ser interrogado sob suspeita de ter ajudado terroristas a sequestrar um avião em 1970.

http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/34812-vitimas-da-ditadura

Na lista das injustiças cometidas pelos generais e seus subalternos, eles não estão sós. O blog Brasil relembra abaixo outros casos conhecidos e cita ainda um capítulo polêmico na história do Brasil contemporâneo, o de justiçamentos.

MADRE MAURINA

Um dos casos mais emblemáticos é o da freira Maurina Borges da Silveira (1928-2011), que foi presa em Ribeirão Preto, em 1969, porque seu nome aparecia na lista de assinantes de um jornal bancado por integrantes de um grupo guerrilheiro.

Não era sequer simpatizante de grupos esquerdistas. Após sua prisão, falou-se que ela foi estuprada por policiais e acabou tendo um filho.

A este repórter a religiosa negou o estupro e o filho e atribuiu os boatos aos “ricos de Ribeirão” –expressão usada por ela. Como diretora de um orfanato para pobres, ela disse que rejeitara, pouco tempo antes da prisão, filhos de mulheres solteiras e ricas da cidade. “Acho que isso acabou influenciando de algum jeito o que me ocorreu depois”, afirmou à época.

MÁRIO OBA

Por duas vezes no início dos anos 1970, forças da repressão militar prenderam e torturam o jovem Mário Oba. Eles queriam saber de ações da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), uma das organizações clandestinas da época.

Quem na verdade os militares procuravam era outro Mário, que se chamava Chizuo Osava e era conhecido na luta armada como Mário Japa. O caso foi revelado pela Folha em 2011.

MIGUEL SÁBAT NUET

Em épocas de período de exceção, nem estrangeiros ficam imunes à repressão. Um deles foi o espanhol Miguel Sábat Nuet, morto em 1973 no Dops (um dos órgãos da polícia política), em São Paulo.

Nuet não tinha nenhuma militância conhecida em organizações de esquerda.

Por isso, o governo brasileiro reconheceu o erros anos depois e pediu perdão à família dele, que ainda foi indenizada em R$ 100 mil.

JUSTIÇAMENTOS

Se mortes ou tortura cometidas em ditaduras têm tudo para ferir os direitos básicos de qualquer cidadão, o que dizer então dos justiçamentos?

São casos que não podem ser classificados tecnicamente como “por engano” –até porque não seguiram nenhum procedimento jurídico.

Esta Folha já relatou alguns desses casos, como em 2012, quando reportagem do jornal contou quatro episódios. Um deles foi o de Carlos Alberto Maciel Cardoso, ex-militante da ALN (Ação Libertadora Nacional) –maior organização clandestina da esquerda na última ditadura.

Cardoso foi morto no Rio em 1971. A acusação contra ele era basicamente a mesma usada em casos de justiçamentos: traição. No caso de Cardoso, integrantes da ALN entenderam que ele entregou colegas da organização depois que foi preso pela Polícia Federal.