Com família poderosa e pai ‘coronel’, Argôlo sonhava em ser governador

Por brasil

JOÃO PEDRO PITOMBO, DE SALVADOR

Filho de uma das famílias mais poderosas da região nordeste da Bahia, o ex-deputado Luiz Argôlo (SD-BA) – preso na 11ª etapa da Operação Lava Jato – é dono de uma carreira política meteórica e tinha planos ambiciosos para o futuro.

Aos 34 anos, depois de um mandato de vereador, dois de deputado estadual e um de federal, tinha como projeto disputar a Prefeitura de Alagoinhas (121 km de Salvador), maior cidade da região, e tentar no futuro ser candidato a governador da Bahia.

A amigos próximos, argumentava que, além do prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), ele era a única força política na mesma faixa etária em ascensão na política baiana.

Luiz Argôlo, acusado de irregularidades na Operação Lava Jato - Pedro Ladeira/Folhapress
Luiz Argôlo, acusado de irregularidades na Operação Lava Jato – Pedro Ladeira/Folhapress

Com base política na cidade de Entre Rios (141 km da capital baiana), Luiz Argôlo é cria política do pai, Manoelito, – apontado pelo Ministério Público Federal como beneficiário de um depósito de R$ 60 mil feito pela contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza.

Prefeito de Entre Rios por duas vezes (1993-1996 e 2001-2004), Manoelito Argôlo é empresário, criador de gado e considerado um dos homens mais ricos da região.

Por seu poder e estilo de fazer política, com campanhas ricas, é considerado um dos últimos “coronéis” vivos da política baiana.

Na campanha de 2004, o então ministro da CGU do governo Lula, Waldir Pires (PT), teve que ser escoltado para participar de um ato político do então candidato a prefeito Ranulfo (PT).

Ranulfo – um professor que percorria as ruas da cidade em uma bicicleta – acabou vencendo as eleições daquele ano contra Manoelito. Desde então, a família Argôlo foi derrotada na cidade nas duas eleições subsequentes.

Para compensar a perda da base, o irmão de Luiz Argôlo, Manoelito Argôlo Jr (na época no PP, hoje filiado ao SD), foi por duas vezes prefeito entre 2001 e 2008 de Cardeal da Silva, cidade vizinha.

“REI DO BAIÃO”

Antigos aliados do ex-prefeito Manoelito afirmam que suas campanhas eram marcadas por forte assistencialismo, com distribuição de cestas básicas, pares de óculos e cadeiras de rodas.

A fazenda da família, chamada Rancho Alegre, era conhecida por promover as maiores festas de São João e São Pedro da região, sempre com artistas famosos e gratuita ao público.

As festas aproximaram o clã dos Argôlo do “rei do baião” Luiz Gonzaga, que veio a ser padrinho de batismo de Luiz Argôlo, cujo nome foi dado em sua homenagem.

O auge do poder da família Argôlo na região foi no quadriênio entre 2001 e 2004. Então filiado ao PPB (hoje PP), Manoelito elegeu-se prefeito e fez do filho Luiz Argôlo, aos 21 anos, presidente da Câmara de Entre Rios.

A mulher de Manoelito, Vera Argôlo, – apontada como uma das laranjas em contratos do filho com Youssef, segundo a Procuradoria – era vice-prefeita.

Sem disputar eleições desde 2004, Manoelito respondeu a 18 processos na Justiça eleitoral, mas nunca chegou a ser cassado ou condenado.