Seca espanta turistas de cidades à margem do lago de Furnas

Por brasil

MARCELO TOLEDO, EM CAPITÓLIO (MG)

Nas paredes, lembranças de dias de bonança, de ambiente lotado e de fartura na pesca, cenário que contrasta com a crise hídrica vivida por cidades mineiras às margens do reservatório de Furnas.

Fotografias que mostram o lago da hidrelétrica cheio, com embarcações ancoradas às margens do restaurante de Antonio Carlos da Costa Lopes, em Capitólio (MG), também repleto de turistas, são marcas de um tempo em que falar de seca não fazia sentido na região.

Proprietário de um restaurante na cidade desde 1987, Lopes, também conhecido como “Murcegão”, 53, tem visto nos últimos dois anos, especialmente desde o segundo semestre de 2014, o local cada vez mais vazio –sem consumidores e, também, sem funcionários.

Proprietário do bar Murcegão mostra plantação de milho onde antes havia água no lago de Furnas - Apu Gomes/Folhapress
Proprietário do bar Murcegão mostra plantação de milho onde antes havia água no lago de Furnas – Apu Gomes/Folhapress

A seca fez Furnas atingir no final de janeiro seu índice mais baixo desde 1999, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Na semana passada, chegou a 10,62% de capacidade preenchida no reservatório.

Com o nível 15 metros mais baixo que a capacidade máxima, hotéis, restaurantes e marinas, entre outros negócios às margens do lago, passaram a registrar a fuga de clientes.

No caso de Lopes, sua renda anual passou de R$ 150 mil, segundo ele, para “algo próximo de R$ 0”.

Dos 32 funcionários que chegou a ter em épocas de represa cheia, hoje resta apenas um, além dele e da mulher.

Até agosto do ano passado, o local costumava atrair turistas e moradores locais para refeições preparadas com peixes frescos –tilápias, principalmente–, obtidos no próprio lago.

Entre os clientes, chegou a receber o zagueiro David Luiz (PSG, da França) após a Copa do Mundo. Agora, os poucos clientes que aparecem são servidos com peixes adquiridos de criadores, já que o lago praticamente secou.

Com isso, uma alternativa encontrada foi criar uma horta orgânica no local antes inundado pelo reservatório.

Milho, couve, pimentão e alface estão sendo cultivados pelo casal e o empregado. Mas e se a água vier? “Infelizmente vai dar tempo de colher o milho, plantar de novo, colher novamente… Já passamos por isso em 1999 e, por isso, não acho que o reservatório voltará ao normal antes de 2018”, disse.

Segundo Furnas, o menor nível histórico do lago foi em dezembro de 1999, quando o reservatório atingiu apenas 6,28% de seu volume útil.