Eleitores da fronteira com o Uruguai votam duas vezes para presidente

Por brasil

FELIPE BÄCHTOLD, DE PORTO ALEGRE

Em algumas cidades do Rio Grande do Sul, o domingo de eleição tem uma importância histórica ainda maior. Em uma coincidência inédita, os eleitores do vizinho Uruguai escolhem presidente no mesmo dia do Brasil.

Com a integração da fronteira, muitos eleitores de dupla cidadania votam nos dois países hoje.

Seis municípios gaúchos são colados a cidades uruguaias e possuem população com laços estreitos com os dois lados. O maior desses municípios é Santana do Livramento (a 487 km de Porto Alegre), com 83 mil habitantes.

A localidade gaúcha é separada por uma rua da uruguaia Rivera, de 65 mil habitantes. Moradores cruzam a fronteira várias vezes por dia e muitas famílias são formadas por cidadãos brasileiros e uruguaios. Há até um apelido para quem tem dupla cidadania: “doble chapa”.

O Uruguai realiza neste domingo o primeiro turno da sucessão do presidente José Mujica. A disputa está polarizada entre o governista Tabaré Vásquez, ex-presidente, e Luis Lacalle Pou, do Partido Blanco.

Morador de Santana do Livramento, Horácio Dávila, 64, votou no Brasil hoje, pela manhã, e no Uruguai, à tarde. Ele diz que o dia da eleição é “mais alegre e mais participativo” no Uruguai porque não há proibição de propaganda de boca de urna, como no lado brasileiro.

Morador de Santana do Livramento, Horácio Dávila, 64, votou no Brasil pela manhã e no Uruguai à tarde - Divulgação
Morador de Santana do Livramento, Horácio Dávila, 64, votou no Brasil pela manhã e no Uruguai à tarde – Divulgação

“Fica muito engessado. Se você fica na calçada, a polícia passa e pergunta o que está fazendo”, diz.

Diretor de um órgão municipal e dirigente do PT no município gaúcho, Dávila nasceu em Montevidéu, mas mora no lado brasileiro da fronteira desde os anos 70 e obteve a cidadania. Não se recorda de outra situação similar a deste domingo.

“Casualmente, coincidiu o dia, e a fronteira está bem movimentada. Quando apurarem os resultados, ficará mais festiva ainda.”

Para ele, a fronteira “não existe” em Santana do Livramento e é apenas uma separação de “bairros”.

Fronteira Brasil-Uruguai nas cidades de Quaraí (RS) e Artigas (URU) -Felipe Bächtold/Folhapress
Fronteira Brasil-Uruguai nas cidades de Quaraí (RS) e Artigas (URU) -Felipe Bächtold/Folhapress

No Uruguai, a votação se dá em cédulas de papel, e a disputa pode ser definida apenas daqui a um mês, no segundo turno.

O total do eleitorado do país vizinho é de 2,6 milhões –o equivalente ao da região metropolitana de Porto Alegre.

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