Surpresa no RS, Sartori supera Ana Amélia em Porto Alegre, diz Datafolha

Por brasil

FELIPE BÄCHTOLD, DE PORTO ALEGRE

A reviravolta nas pesquisas sobre a disputa ao governo no Rio Grande do Sul se reflete em mudanças de tendências em variados setores do eleitorado do Estado.

A senadora Ana Amélia Lemos (PP), que havia liderado todas as pesquisas até então, perdeu votos entre os jovens, nas pequenas cidades e teve uma alta na sua taxa de rejeição, de acordo com levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira (2).

Na pesquisa geral, o quadro é de empate técnico, mas o governador Tarso Genro (PT) passou a liderar numericamente. Está com 32% das intenções de voto, ante 28% da adversária.

A surpresa do levantamento foi o peemedebista José Ivo Sartori, que avançou seis pontos percentuais e agora está com 23%.

Como a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, os índices provocam um quadro de indefinição sobre quem irá ao segundo turno.

Abaixo, algumas curiosidades do levantamento:

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1) Rejeição

O principal trunfo da campanha de José Ivo Sartori é sua baixa rejeição em variados segmentos do eleitorado.

Desde o início da campanha, o índice de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum não passa de 10%, enquanto a taxa de Tarso já chegou a quase 30%.

A novidade nessa pesquisa é o aumento da rejeição a Ana Amélia. Entre os jovens de até 24 anos, ela é a mais rejeitada, com 24%. É um indício de que a série de ataques do PT à candidata teve efeito.

2) Voto jovem

Tarso teve problemas ao longo da campanha para atrair o eleitor que vota pela primeira vez. Agora, é o candidato de melhor desempenho nesse segmento.

Na simulação de segundo turno com Ana Amélia, por exemplo, ele abre nove pontos percentuais de vantagem no eleitorado com até 24 anos. Na pesquisa geral, a vantagem numérica é de Ana Amélia, com 44% a 41%.

Sartori também não conseguiu se sair bem até agora com esse eleitor. Seus melhores índices foram entre entrevistados com 60 anos ou mais. Nesse campo, a disputa está totalmente indefinida: Tarso tem 29%, o peemedebista, 28%, e Ana Amélia, 24%.

3) Escolaridade

Os resultados da pesquisa oscilam muito dependendo da escolaridade e da renda do entrevistado.

No segmento com renda familiar mensal de até dois salários mínimos, Tarso abre nove pontos de vantagem sobre Ana Amélia e 13 sobre Sartori.

Mas, levando em conta os entrevistados com curso superior, o quadro é de empate: Ana Amélia lidera, com 32%, seguida pelo petista e pelo peemedebista, com 27% cada.

4) Voto na capital

Ana Amélia sofreu uma expressiva queda em Porto Alegre, reduto eleitoral de Tarso Genro, e está numericamente atrás também de Sartori no município.

Tarso lidera na capital, com 34% dos votos, ante 23% do candidato do PMDB e 20% da senadora. Na semana passada, em Porto Alegre, Tarso tinha 31%, Ana Amélia, 23%, e Sartori, 16%.

Ana Amélia também perdeu espaço nas pequenas cidades, onde vinha mantendo boa vantagem sobre o petista.

O eleitorado de Porto Alegre é o único segmento em que Vieira da Cunha (PDT) consegue um desempenho razoável. De 2% das intenções de voto na pesquisa geral, ele passa para 8% na maior cidade do Estado.

5) Estabilidade no Senado

O vaivém da disputa ao governo do Estado não se reflete nas pesquisas sobre o Senado. Lasier Martins (PDT) e Olívio Dutra (PT) se revezaram na frente em todas as pesquisas já feitas.

Nos seis levantamentos já feitos, os índices dos dois oscilaram entre 26% e 31% das intenções de voto, sempre em situação de empate técnico.

Nem a entrada da candidatura do veterano Pedro Simon (PMDB) no meio da campanha ameaçou a polarização.

A alta de Sartori também não fez efeito sobre o voto ao Senado. Eleitores que dizem simpatizar com o PMDB e o PP devem optar pela candidatura de Lasier, segundo o Datafolha.

6) Número correto

O Datafolha também questionou os entrevistados sobre o número de urna dos candidatos escolhidos. Dizem não saber 49% do eleitorado. Outros 47% sabem e 3% fizeram menções incorretas.

Entre os eleitores que simpatizam com o PMDB, a quantidade de eleitores que desconhecem o número é maior –59%.

A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números RS-00023/2014 e BR-00933/2014.

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