Conheça o palácio do governo do Paraná por dentro

Por brasil

ESTELITA HASS CARAZZAI, DE CURITIBA

Muitas são as curiosidades em torno do dia a dia do poder. Há quem confabule sobre reuniões secretas, conchavos, extravagâncias e luxo. Nas mentes mais imaginativas, as sedes do poder abrigam até passagens secretas e escutas plantadas por adversários.

Mas a dúvida que a guia Jessy de Lara França, 25, mais responde nos passeios à sede do governo do Paraná é prosaica e quase deslumbrada: “Você já viu o governador?”

Não, Jessy nunca viu o governador Beto Richa (PSDB), atual ocupante do Palácio Iguaçu. Até porque ela só está no local quando ele não está: aos finais de semana e feriados, quando ocorrem as visitas guiadas ao palácio.

Desde junho, a sede do governo paranaense está aberta aos turistas e curiosos. As visitas acontecem das 10h às 16h, de hora em hora, sempre aos fins de semana e feriados, e são de graça.

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Para além de saciar as curiosidades dos visitantes, que ficam sabendo do elevador privativo do governador, das suas preferências de dieta e dos inúmeros carros de brinquedo expostos no gabinete de Richa (cuja paixão por automobilismo é notória), o passeio é um misto de história, arte e arquitetura.

Ao longo do percurso, que passa pelos principais salões do palácio, inaugurado em 1954, o visitante aprecia obras de grandes artistas paranaenses, como Poty Lazzarotto, Theodoro de Bona, Guido Viaro e Ida Hanneman de Campos.

A maioria tem temas paranistas, retratando a formação do Estado, seus ciclos econômicos, a descoberta das Cataratas do Iguaçu e a instalação da província do Paraná.

O prédio, de estilo modernista e projetado pelo arquiteto David Xavier de Azambuja, foi restaurado entre 2009 e 2010. Um dos seus marcos é o saguão principal, com uma grande escada em caracol, conhecida como “Escada das Debutantes”, já que lá se realizavam os bailes da alta sociedade curitibana até meados da década de 1970.

“Depois disso parou. Acharam que não era apropriado”, comenta a guia.

DEBATE POLÍTICO

O Salão dos Governadores, que reúne retratos de todos os ex-governantes do Paraná, num importante registro histórico, se transforma quase numa tribuna política nos dias de visita. “As pessoas apontam e dizem: ‘Esse aqui destruiu o Estado. Esse fez o melhor governo’”, comenta Jessy.

Um dos pontos preferidos do percurso é o mapa do Paraná em alto-relevo, que fica no jardim aos fundos do palácio e reproduz os planaltos do Estado, a Serra do Mar, as represas de hidrelétricas e as principais cidades. Foi muito visitado por estudantes de escolas públicas no passado, que hoje levam seus filhos para conhecê-lo.

Muitos querem saber como falar com o governador. No terceiro andar, onde está o gabinete, a guia detalha o ritual: o primeiro contato é com as secretárias, que passam a demanda aos assessores, que então a repassam aos secretários de Estado. Somente se o pedido não for solucionado é que se agenda um horário com o governador

“Ah, é muito difícil”, se frustram os visitantes.

O palácio foi aberto à visitação em comemoração aos seus 60 anos de inauguração. Os passeios, em princípio, prosseguem somente até o final do ano.

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