Inquebrável, padre Cícero de borracha é novidade em Juazeiro do Norte

Por brasil

ANDRÉ UZÊDA, DE JUAZEIRO DO NORTE (CE)

Os romeiros que forem a Juazeiro do Norte (CE) em julho para as homenagens aos 80 anos da morte do padre Cícero (1844-1934) encontrarão uma novidade no comércio.

Agora, as tradicionais imagens em gesso do padre milagreiro enfrentam concorrência de peças de borracha, feitas com sobras de fábricas de calçados do município.

Vendedores apostam na resistência do material –as imagens são vendidas como “inquebráveis”– para compensar o preço mais salgado: uma imagem pequena custa R$ 10 –a de gesso, R$ 3.

Para emplacar a novidade, vale até atirar as imagens com força no chão, sem medo de castigos divinos. Ato contínuo, o comerciante toma a peça, sem dano aparente, e exalta sua durabilidade.

“Os romeiros sempre reclamaram que compravam imagens de gesso aqui e, quando abriam a mala, só tinha farelo. Com a imagem de borracha não tem esse problema”, diz José Germano, 66, há dois anos num ponto de venda no entorno da estátua, ponto turístico na cidade.

Foto com múltiplas exposições mostra imagem do padre Cícero de borracha quicando Foto de Crédito Jarbas Oliveira/Folhapress
Foto com múltiplas exposições mostra imagem do padre Cícero de borracha quicando
Foto de Jarbas Oliveira/Folhapress

São cerca de mil lojinhas nas imediações da escultura de 27 metros de altura, de 1969. A maioria dos locais é da Igreja Católica, que aluga os espaços a comerciantes.

Germano diz vender até 150 peças de gesso por mês no período das romarias. Com as novas imagens, quer duplicar os lucros.

“Pelas vendas iniciais dá para projetar um lucro bom. O cliente quer uma imagem que dure a vida toda”, afirma.

E para quem prefere outra lembrança, a economia informal movida pelo “padim Ciço” não para aí: há referências ao líder religioso em broche, medalha, camiseta, anel, porta copos, chapéu, capa de celular, boné e adesivo.

A cidade espera receber até 300 mil romeiros em julho –mais do que toda a população local, de 249 mil.

Durante o ciclo de romarias, são 2 milhões de pessoas circulando por Juazeiro do Norte, segundo a prefeitura.

O aporte de turistas esquenta as vendas no comércio em até 5%, considerado o termômetro das consultas aos cadastros de devedores.

“O crescimento tem sido exponencial a cada ano. Esse tipo de novidade, como as imagens de borracha, acaba sendo vantajosa porque estimula o romeiro a voltar”, disse o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do município, Michel Oliveira.