O ponto que “vende tudo”: conheça essa moda do Nordeste

Por brasil

DANIEL CARVALHO, DO RECIFE

Vende de tudo, e não é mercado. É de ferro, ocupa a calçada, e não é banca de revista. No Recife, o que domina as calçadas são os fiteiros, verdadeiras lojas de conveniência populares.

Por toda a cidade é fácil encontrar as barraquinhas que vendem “absolutamente tudo”. A maioria está no centro. Algumas, assim como as concorrentes “de luxo” nos postos de gasolina, funcionam 24 horas por dia.

Há 33 anos, um fiteiro ocupa a calçada do cruzamento das ruas Manoel Borba e das Ninfas, na Boa Vista.

Bala, refrigerante, salgados, cigarro, bolo, café, pilha, isqueiro, chocolate, pipoca, bolacha, camisinha, chaveiro, pente, lâmina de barbear, barbeador, cola, desodorante, barra de cereal, coco, amendoim e cortador de unha.

Ufa! Esses foram os itens que a reportagem conseguiu anotar no estabelecimento que o empresário Eliezer da Silva administra há um ano, além de uma geladeira, um freezer e um display aquecido para alimentos.

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Eliezer diz que era o maior frequentador do fiteiro. Com a morte do antigo dono, comprou a barraca e passou a se dedicar integralmente ao negócio que lhe rende R$ 1.000 por dia.

A segurança fica a cargo de câmeras instaladas no local e do próprio público que consome no fiteiro. “Aqui vem delegado, promotor e turista”, diz o empresário, que emprega quatro pessoas.

Durante o dia, o movimento não para por causa das pessoas que trabalham na região. À noite, são os taxistas que movimentam o ponto durante a semana.

Nos fins de semana, o público vem de frequentadores da balada gay que fica bem em frente ao fiteiro. O “esquenta” dos baladeiros acontece ali mesmo na calçada.

O fiteiro também funciona como centro de informações e ponto de encontro. Há quem faça do local o bar da noitada. “Com a vantagem de que não aturo bêbado me ‘aperreando'”, afirma o empresário.

Mesmo ocupando a calçada, Eliezer da Silva diz que a prefeitura “não incomoda”. “Se mexer, a população cai em cima, porque isso aqui é a segurança da região. Tirou isso aqui, matou esse lugar”, diz.

Na avenida Guararapes, no centro do Recife, há um verdadeiro corredor de fiteiros. Alguns, além de vender uma infinidade de objetos e alimentos, ainda oferecem serviço de chaveiro, por exemplo.

A Prefeitura do Recife não sabe quantos fiteiros existem na cidade, mas, desde 2013, tem feito operações para retirá-los do entorno de escolas, atendendo a uma lei estadual de 1990 que fixou um “perímetro de segurança” de cem metros nas imediações de colégios.

Desde o ano passado, já foram retirados 318 equipamentos do entorno de 24 unidades de ensino.