Inédito, rompimento do PR com Planalto afetaria TV e Estados

Por brasil

PATRÍCIA BRITTO, DE SÃO PAULO

O PR que ameaçava romper com o governo Dilma agora faz um apelo pelo “Volta Lula”. Se o rompimento fosse adiante, numa confirmação na convenção em junho, por exemplo, seria a primeira vez que o partido faria oposição ao governo petista desde a primeira eleição de Lula, em 2002.

Matematicamente, o apoio do PR significa 1 minuto e 22 segundos em cada bloco de 25 minutos da propaganda eleitoral no rádio e na TV –o cálculo é feito com base na bancada de deputados federais eleitos em 2010, mas a distribuição ainda será oficializada pela Justiça Eleitoral.

Parece pouco, mas pode fazer diferença para o PT, que tenta repetir a distribuição de 2010, quando teve quase metade do tempo total da propaganda partidária.

A eventual ruptura também pode ter impacto na base governista no Congresso. Hoje o PR tem a sexta bancada da Câmara, com 32 deputados, e a sétima do Senado, com quatro senadores.

Apesar de ter maioria no Congresso, o governo tem de lidar com o chamado “blocão”, formado por partidos aliados insatisfeitos e que tem dificultado a vida do governo em votações consideradas prioritárias pelo Planalto.

Integrantes da cúpula do PR, em 2010, deixam a produtora onde a então  candidata Dilma gravava seu programa eleitoral, em Brasília; Valdemar Costa Neto, à esquerda, com César Borges (BA) e Alfredo Nascimento (AM) Foto: Sergio Lima -  07.10.2010/Folhapress
Integrantes da cúpula do PR, em 2010, deixam a produtora onde a então candidata Dilma gravava seu programa eleitoral, em Brasília; Valdemar Costa Neto, à esquerda, com Alfredo Nascimento (AM) e César Borges (BA)
Foto: Sérgio Lima – 07.10.2010/Folhapress

Nas eleições estaduais, já há Estados de peso eleitoral onde o PR não dará palanque para Dilma: em Minas Gerais, deverá apoiar o pré-candidato do PSDB, Pimenta da Veiga. No Paraná, estará no palanque pela reeleição do governador tucano Beto Richa (PSDB). Nos dois casos, o palanque presidencial será para o senador Aécio Neves (PSDB).

Já dos dois pré-candidatos a governador do PR, somente Anthony Garotinho, no Rio, poderá dar palanque para Dilma. No Distrito Federal, José Roberto Arruda deve oferecer seu palanque a Aécio (PSDB) ou a Eduardo Campos (PSB).

No Ceará, há possibilidade de o PR indicar um nome para vice em uma chapa com Eunício Oliveira (PMDB) ao governo e Tasso Jereissati (PSDB) ao Senado. Lá, o palanque de Dilma deverá ser o do candidato indicado pelo governador Cid Gomes (Pros).

O PT tem apoio certo do PR na Bahia, onde o pré-candidato petista será Rui Costa. É de lá o único ministro do PR na Esplanada: César Borges, dos Transportes.

Essa também é a tendência no Rio Grande do Norte, onde o PR indicará deputado federal João Maia para a vaga de vice na chapa liderada pelo presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB).

Qualquer decisão do partido –rompimento, por exemplo– precisará ser confirmada pelos delegados do partido na convenção, em junho.

Apesar de a bancada do partido na Câmara demonstrar insatisfação com o governo Dilma, no Senado o cenário é de apoio à presidente.